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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Carnaval e Deusa Uzume


O carnaval é hoje a maior festa folclórica brasileira. É um período de festas regidas pelo ano lunar do cristianismo, e sua origem é um assunto controverso. Alguns historiadores associam o começo das festas carnavalescas aos cultos feitos pelos antigos em louvor as boas colheitas agrárias, dez mil anos antes de Cristo. Já outros dizem que seu início teria acontecido mais tarde, no Egito, em homenagem à deusa Ísis e ao Touro Apis, com danças, festas e pessoas mascaradas. Há quem atribua o início do carnaval aos gregos que festejavam a celebração da volta da primavera e aos cultos ao Deus Dionísio. E outros ainda falam da Roma Antiga com seus bacanais, saturnais e lupercais em honra aos deuses Baco, Saturno e Pã.
Durante o período do Carnaval havia uma grande concentração de festejos populares onde cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX e Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo.
Atualmente, o carnaval é festejado no sábado, domingo, segunda e terça-feira anteriores aos quarentas dias que vão da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa. Controvérsias de origem à parte, o que sabemos é que o carnaval é uma época em que brilhamos com alegria, florescemos nas adversidades e sorrimos com facilidade. O entusiasmo se manifesta com mais fluidez e verdade. É a manifestação da deusa interior que habita cada um, sobretudo através da dança, que nos liberta dos limites, reforça nossas relações entre o céu e a terra, atribuindo novas formas de movimentarmos nossos corpos. Tudo embuído daquela atmosfera contagiante e despojada com aura de “vale tudo em nome da alegria” bem própria desses dias.
A dica para esses dias carnavalescos é aproveitar a companhia da Deusa Uzume, a deusa japonesa da dança e da alegria, também conhecida como a Deusa do Riso. Ela nos prova que uma dose de comicidade e alegria é capaz de reverter os quadros mais pessimistas e curar o mal. Na qualidade de xamã, Uzume usa a dança e os movimentos corporais como uma das mais importantes formas de magia.
Deixe que o êxtase e a alegria de Uzume invadam seu corpo e sorria.
A deusa Uzume – patrona oficial do carnaval - vem nos dizer que o riso é a melhor forma de gozarmos de relaxamente legítimo e nos dá de presente a seguinte mensagem: a totalidade só será alcançada quando decidirmos rir e encararmos os desafios da vida com mais humor e menos severidade e rigidez.
Todos nós já passamos por períodos de nossas vidas que nos refugiamos em cavernas escuras de nossas depressões, desilusões ou obsessões. Somos filhos da escuridão e da luz, nossos pontos de chegada e de partida. E como sabemos, cada dia é uma viagem entre esses dois pontos. Da noite, saímos para o dia. Toda criatividade desperta nesse limiar primordial, onde a luz e a escuridão se examinam e se abençoam. Só se descobre o equilíbrio da vida quando se aprende a confiar no fluxo desse ritmo antigo. A dança é um excelente e poderoso veículo para essa conquista. Aproveite o período para dançar com Uzume a dança da vida!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Festa de Yemanjá - 2 de fevereiro


Iemanjá, a Rainha do Mar, das Águas e Mãe de quase todos os Orixás, é uma Deusa abrasileirada, resultado da miscigenação de elementos europeus, ameríndios e africanos. Por conta dessa fusão, Yemanjá é um mito de poder altamente aglutinador. A tranqüilidade na superfície do mar, ou a tempestade rugindo, as ondas quebrando-se sobre as embarcações ou sobre as praias, tudo é conduzido por sua mão suprema.
Iemanjá de tantos poderes, de tantos nomes e tantos filhos, sempre foi exaltada por negros e brancos e seu culto se verifica de norte a sul no Brasil. Governa os poderes de regeneração e pode ser comparada à Deusa Ísis. No seu reinado, o fascínio de sua beleza é tão grande como o seu poder.
Como um orixá marítimo, ela é a mais prestigiosa entidade feminina dos candomblés da Bahia, recebe rituais de oferendas e grandes festas lhe são dedicadas, indo embarcações até o alto-mar para lhe atirar mimos e presentes. Protetoras das viagens e dos marinheiros, obteve o processo sincrético, passando a ser a Afrodite brasileira, padroeira dos amores, dispondo sobre uniões, casamentos e soluções amorosas. Quem vive no mar ou depende de amores é devoto de Iemanjá. Convergem para ela orações e súplicas no estilo e ritmos católicos.
Queixas são contadas a Iemanjá, esperanças dela provêm, planos e projetos de amor, de negócios, podem ser executados caso ela venha a dar seu assentimento.
A Deusa lunar Iemanjá rege a mudança rítmica que caracteriza as mudanças de toda a vida por estar ligada diretamente ao elemento água. Está ligada ao movimento, à expansão e o desenvolvimento. É ela a responsável pela identificação que as mulheres experimentam de si mesmas e que as definem individualmente. Separa o que deve ser separado, deixando somente o que é necessário para que se apresente a individualidade.
Como Deusa Lunar, Iemanjá tem como principal característica a "mudança". Ela nos ensina, que para toda a mulher, o caráter cíclico da vida é a coisa mais natural. Seu sincretismo com a Nossa Senhora e a Virgem Maria lhe conferem a supremacia hierárquica na função materna que representa. É a Deusa da compaixão, do perdão e do amor incondicional. Ela é "toda ouvidos" para escutar seus filhos e os acalenta no doce balanço de suas ondas. Ela representa as profundezas do inconsciente, o movimento rítmico, tudo que é cíclico e repetitivo. A força e a determinação são suas características básicas, assim como o seu gratuito sentimento de amizade.
Iemanjá surge nas espumas das ondas do mar para nos dizer que é tempo de "entrega". Entregar o peso que você pode estar carregando sem se dar conta, o peso da ilusão de que tem que resolver tudo sozinha, Pois saiba que a entrega não significa derrota. Pedir ajuda também não é humilhação, a vida tem mais significado quando compartilhamos nossos momentos com mais alguém. Geralmente esta entrega ocorre em nossas vidas forçosamente. Se dá naqueles momentos em que nos encontramos no "fundo do poço", sem mais alternativas de saída, então nos viramos e entregamos "à Deus" a solução. E, é exatamente nesta hora que encontramos respostas, que de maneira geral, eram mais simples do que imaginávamos. A totalidade é alimentada quando você compreende que o único modo de passar por algumas situações é entrega-se e abrir-se para algo maior.
Quando abrimos uma brecha em nosso coração e deixamos que a Deusa atue em nós, alcançamos o que almejamos. Entrega é confiança, mas tente pelo menos uma vez entregar-se, pois lhe asseguro que a confiança virá e será tão cega e profunda quando a sua desconfiança de agora. O seu desconhecimento destes valores, escondem a presença de quem pode lhe ajudar e provocam sentimentos de ausência e distância.